Turismo e consumo na sociedade global

paris 356

Walter Praxedes

Pensar o fenômeno turístico no mundo contemporâneo a partir de critérios próprios das ciências sociais pode nos levar a algumas reflexões incômodas. Embora pareça evidente a existência de uma relação entre a mobilidade de empresas, capitais e mercadorias na sociedade global e o crescimento do fenômeno turístico internacional, é cabível investigarmos se o processo de internacionalização da economia mundial, ao viabilizar a expansão do turismo que se assiste nos tempos atuais, não acaba também provocando algumas consequências indesejáveis para as nações e comunidades locais.

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Em números, o crescimento absoluto do turismo internacional, como informa o relatório Desenvolvimento Humano do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD-1999), foi de 260 milhões em 1980 para 590 milhões em 1996. Em 1999 a Organização Mundial de Turismo divulgou que o número de turistas no mundo chegou a 625 milhões. Estes dados se tornam ainda mais significativos se levarmos em consideração que nos anos sessenta apenas 25 milhões de pessoas no mundo todo, aproximadamente, viajavam para fora dos seus países.
Para viabilizar esta quantidade de deslocamentos, alguns poucos operadores de viagens, agências de viagens e transportadores, principalmente companhias aéreas, vendem seus serviços para a parcela maior do fluxo mundial de turistas, integradas através de apenas três megassistemas de serviços de comunicação de dados e reservas: um desses sistemas integrados de informações é o SABRE (Semi-Automated Business Research Environment), resultado da associação da American Airlines com a IBM; outro é o sistema Galileu, controlado pela British Airways e mais dez empresas européias; e o terceiro é o sistema Amadeus, de propriedade da Air France, Lufthansa, Iberia e SAS. No mundo todo existem mais algumas dezenas de sistemas de informação que se comunicam com uma destas três cadeias informacionais, conectando os terminais de agências de viagens aos terminais de empresas aéreas, trens, navios, hotéis, empresas de aluguel de automóveis, pacotes turísticos, excursões etc…(DREIFUSS, 1996: 138).
Já em 1995 o setor de turismo representava cerca de 10,9 % do PIB global, o que chegava a aproximadamente 3,4 trilhões de dólares, e ocupava 212 milhões de trabalhadores diretos, o equivalente a cerca de 10% da população economicamente ativa (PEA) mundial.
Técnica e financeiramente, um dos fatores que possibilitaram a globalização e a expansão do turismo foi a queda nos custos dos meios de comunicação e transporte ocorrida mundialmente. O custo do transporte aéreo caiu de 30 centavos de dólar por passageiro-milha, em 1950, para 11 centavos de dólar em 1990. (GOVINDARAJAN & GUPTA, 1998: 7). O Custo de uma chamada telefônica de 3 minutos, de New York para Londres caiu de 245 dólares em 1930 para 35 centavos de dólar em 1998 (PNUD, 1999).

I – A GLOBALIZAÇÃO E AS EMPRESAS MULTINACIONAIS

Para entendermos a globalização da economia mundial e a expansão internacional do turismo decorrente, alguns processos históricos significativos devem ser recordados. Após a Segunda Guerra Mundial gradativamente vem se ampliando a tendência de aplicação das altas tecnologias informacionais em organizações enxutas e flexíveis, possibilitando aos conglomerados de empresas multinacionais que dominam a pesquisa tecnológica de ponta, a imposição de uma maior interdependência econômica na economia mundial, graças a um sem número de “inovações tecnológicas nas áreas de biotecnologia e engenharia genética, energia fotovoltaica, holografia, fibras óticas, raio laser e, sobretudo, todas as aplicações de circuitos integrados e semicondutores nos computadores, máquinas-ferramenta, robôs e processo de equipamentos automatizados” (RATTNER, 1988: 9).
Desde então, intensifica-se a integração funcional entre unidades produtoras de bens e serviços, notadamente de serviços financeiros, dispersas por todo o planeta, mas sob a direção estratégica dos objetivos dos grandes conglomerados multinacionais, sendo que os maiores têm como origem nacional os Estados Unidos, o Japão e a Europa ocidental.
A diminuição considerável do estado de tensão permanente entre as duas superpotências que emergem da Segunda Grande Guerra, EUA e URSS, provocada pela desintegração política e econômica da segunda, no final da década de oitenta, potencializou o processo de expansão dos investimentos externos diretos das multinacionais. O gigantismo alcançado pelas mesmas, ainda mais porque essas organizações contam com a retaguarda financeira e a capacidade de pressão política de organismos internacionais como o Banco Mundial, a Organização Mundial do Comércio e o Fundo Monetário Internacional, provoca uma diminuição dos limites que os Estados nacionais impõem às suas práticas predatórias sobre o mercado e o meio ambiente.
Como escreveu o sociólogo Renato Ortiz “…a corporação transnacional, ao tomar o planeta como mercado único, redimensiona suas prioridades. Não é a parte que determina o todo, mas o inverso. Sua operacionalidade é ditada pela competição global. As especificidades nacionais são, neste caso, secundárias, sendo levadas em conta apenas quando as políticas totalizantes estiverem traçadas de antemão” (ORTIZ, 1994: 150).
É justamente para ampliar a mobilidade dos investimentos oligopolistas no espaço terrestre que vem sendo implementado, principalmente nos países do chamado Terceiro Mundo, um conjunto de medidas de reestruturação dos Estados nacionais que apontam para a desregulação de suas economias, ou seja, fim de leis e regras que dificultam a atuação das multinacionais, a abertura econômica para os investimentos diretos dessas empresas e a privatização das empresas públicas.

II – GLOBALIZAÇÃO E TURISMO PARA POUCOS

Para algumas modalidades de turismo, especialmente a internacional, é necessário que o turista tenha à sua disposição um montante considerável de recursos, próprios ou de terceiros. Tal disponibilidade de recursos pressupõe a existência de um alto índice de concentração de renda tanto na sociedade de origem do turista como na sociedade receptora, que lhe disponibilizará serviços e bens com a qualidade e a quantidade demandada. Por isso é mais do que pertinente pensarmos a expansão do turismo na sociedade global com o mesmo olhar crítico que levou Almeida Garret, há pouco mais de um século, a escrever: “E eu pergunto aos economistas políticos, aos moralistas, se já calcularam o número de indivíduos que é forçoso condenar à miséria, ao trabalho desproporcionado, à desmoralização, à infância, à ignorância crapulosa, à desgraça invencível, à penúria absoluta, para produzir um rico?” (citado por SARAMAGO, 1999: 170).
Atualmente, dos 6 bilhões de seres humanos cerca de 3 bilhões vivem com até 2 dólares por dia (Folha de São Paulo, 6/2/00). Por isso não pode ser esquecido o fato de que o relativo crescimento do turismo no mundo contemporâneo se deu concomitantemente a uma gigantesca concentração da renda mundial. O citado Relatório de Desenvolvimento Humano do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento aponta que “a diferença de renda entre a quinta parte mais rica da população mundial e a quinta mais pobre, medida pela renda média nacional per capita, aumentou de 30 para 1 em 1960, para 74 para 1 em 1997”. Há um século atrás esta mesma diferença de renda era de apenas 3 para 1.
A globalização avança ao passo que condena um número cada vez maior de pessoas à pobreza. Segundo as Nações Unidas os 20% da população mundial que vive nos países de maior renda concentram: 86 % do PIB mundial, 82% dos mercados de exportações mundiais, 68% dos investimentos diretos estrangeiros e 74% das linhas telefônicas mundiais. Os 20% mais pobres têm cerca de 1% de cada um destes setores.
Em razão desta concentração da renda em escala planetária, o turismo internacional, embora em franco crescimento, como já foi indicado, logo encontrará uma barreira intransponível para a sua expansão. A Organização Mundial de Turismo estima que em 2020 apenas 7% dos habitantes do planeta viajarão ao exterior. Em termos relativos, se considerarmos que em 1996 eram 3,5% da população mundial que viajavam para fora dos seus países, 7% da população mundial talvez represente um número considerável de viajantes. Mas, por outro lado, pode ocorrer que os planejadores do turismo mundial, ao perceberem que o crescimento do número de viajantes se torna impraticável, torçam para que os poucos e afortunados viajantes consigam concentrar ainda mais recursos para que possam aumentar seus gastos.
Como contraponto ao estilo de vida cosmopolita desta minoria viajante, na base da pirâmide social do planeta, segundo o filósofo norte-americano Richard Rorty “a maioria das pessoas que vai nascer no próximo século nunca vai chegar a usar um computador, receber tratamento médico num hospital ou viajar de avião. Essas pessoas terão sorte se aprenderem a usar lápis e papel e mais sorte ainda se forem tratadas com algum medicamento mais caro do que uma aspirina” (RORTY, 1999: 5).
Na mesma direção, segundo o diplomata peruano Oswaldo de Rivero (1999: 64), “no ano 2020, haverá nos países em desenvolvimento três bilhões de pobres, entre eles, mais de 800 milhões passarão fome, e centenas de milhões estarão desempregados ou subempregados”.
Outro dado muito significativo é o fato de que, segundo o PNUD, o patrimônio das 200 pessoas mais ricas do mundo tenha saltado de 440 bilhões de dólares em 1994 para 1 trilhão e 42 bilhões de dólares em 1998, crescendo a uma média de 500 dólares por segundo. A renda das 358 pessoas mais ricas do mundo é superior à soma das rendas de 2,3 bilhões de pessoas, que representam 45% da população mundial (RIVERO, 1999: 64). Para o diplomata peruano a globalização “…ao invés de criar uma aldeia global, gera, em nível mundial, guetos de gente próspera e elegante que partilha o mesmo estilo de vida, seguindo o mesmo modelo de consumo e destruindo o meio ambiente”(RIVERO, 1999: 61).

III – CONSUMO TURÍSTICO COMO ESTRATÉGIA DE DISTINÇÃO

Além de sua face concentradora de renda a globalização pode ser vista também como sinônimo de norte-americanização do mundo, como universalização do modo de viver preponderante nos USA, ou, como foi denominado pelo sociólogo Pierre Bourdieu, como a mundialização de uma “mentalidade United States”. Não é por acaso que os Estados Unidos, segundo a Organização Munidal de Turismo, são o segundo país do mundo a receber turistas, (39 milhões de pessoas por ano) e primeiro a receber divisas, 40 bilhões de dólares por ano.
Essa tal “mentalidade US” consistiria em uma busca obsessiva pelo sucesso individual, em contraposição à integração na comunidade com base na igualdade dos seus membros, na solidariedade e no respeito à alteridade. Por sua vez, dentro dessa “mentalidade” o sucesso individual deve ser medido pela capacidade de o indivíduo concentrar dinheiro, títulos e propriedades.
Por outro lado, esta riqueza material deve se tornar visível e invejável pelos demais humanos, ou, nas palavras de Veblen, em uma sociedade de consumo, “para obter e conservar a consideração alheia não é bastante que o homem tenha simplesmente riqueza ou poder. É preciso que ele patenteie tal riqueza ou poder aos olhos de todos, porque sem prova patente não lhe dão os outros tal consideração” (VEBLEN, 1983: 22).
Já que estamos discutindo o turismo na sociedade global, a imagem que melhor ilustra esta característica exibicionista do cidadão bem sucedido em uma sociedade de consumo vem de uma situação de viagem em que uma pessoa aguarda o horário do seu vôo em um aeroporto, e “informa” aos demais transeuntes, nada sutilmente, que é membro de uma categoria de seres humanos que merece reconhecimento e respeito, já que pode aguardar o momento do embarque sentado na sala do Diners, deixando na poltrona ao seu lado a bolsa Louis Vuitton, enquanto brinca com uma caneta Mont Blanc ao mesmo tempo em que fala em um telefone digital: “Isso sim, qualquer desconhecido pode ver e reconhecer” (CALLIGARIS, 1999).
Em suas estratégias mercadológicas os empresários que atuam globalmente exploram este desejo de distinção dos humanos através do consumo de bens de luxo, como o faz Bernard Arnault, que ficou conhecido como o controlador do primeiro megaconglomerado do luxo por controlar a produção e comercialização de bebidas (Moet-Chandon, Hennessy, Hine, Mercier, Pommery, Veuve Cliquot), artigos de couro de alto preço para os consumidores como os produtos Louis Vuitton, cosméticos (L’Oréal, Yves Rocher), alimentos (Canard-Duchêne) e griffes como Christian Dior, Givenchy, Lanson, Lacroix, Kenzo, Guerlain, Henriot, Dom Pérignon.
Também deve ser lembrado que outro empresário, Johann Ruppert, concorre quase diretamente com Arnault, por controlar grandes indústrias do tabaco como Rothmans, Peter Stuyvesant, e grifes de luxo como Cartie, Montblanc, Piaget, Baume&Mercier, Dunhill e Chloé (DREIFUSS, 1996: 66-67).
Uma boa vida, aquilo a que todos os humanos devem aspirar, resumiria-se, então, em consumir o máximo possível essas mercadorias, em especial as fabricadas pelas empresas que empregam alta-tecnologia, de alimentos aos carros de máxima potência, passando por pacotes turísticos, pela cultura Shopping Center, pela comida rápida, e pelos roteiros artificiais e desumanizados das Copas do Mundo de futebol, das Olimpíadas e da Fórmula 1.
Entendida desta forma a globalização não é só a internacionalização da produção e do consumo, ou uma maior mobilidade dos chamados fatores produtivos, é também a universalização da visão de mundo capitalista, consumista e individualista. Com a globalização ocorre uma universalização da visão de mundo hegemônica nos Estados Unidos e a consequente generalização das relações competitivas que passam a preponderar tanto nas relações profissionais, quanto nas relações familiares e de amizade, todas estabelecidas de acordo com o resultado da equação custo/benefício e do lucro financeiro a ser percebido pelos participantes, como se a vida comunitária nada tivesse de difernte das relações de mercado.
Em termos culturais, através da globalização se consolida a imposição do Inglês como língua franca universal. Aos poucos o mundo inteiro torna-se consumidor da música produzida nos Estados Unidos, do seu famoso tecido azul, e de sua comida rápida. Muitos costumes e modos de pensar típicos da sociedade norte-americana impõem-se ao planeta inteiro. É uma verdadeira “McDonaldização” dos costumes e do pensamento para a qual muito tem contribuído a presença mundial da indústria cinematográfica norte-americana e o crescimento das conexões à Internet.
Dentro dessa “mentalidade US” é que tem se propagado certa concepção redutora do significado do fenômeno turístico, que passa a ser identificado pelas empresas do setor simplesmente como um momento de consumo intensivo. Viajar a passeio torna-se sinônimo de consumir cartões de créditos, pacotes turísticos, automóveis e outras mercadorias. “Pode-se afirmar que a viagem é hoje um dos grandes consumos criados no contexto da sociedade, sobretudo pela propaganda, pela mídia globalizada que internacionaliza o propiciamento do turismo” como escreveu a professora Luzia Neide Coriolano (1997: 120).
O cientista social René Armand Dreifuss assim interpretou o crescente número de pessoas que viaja para fora dos seus países: “…trata-se de uma população mundial que, a despeito das suas diferenças históricas (culturais, sociais, nacionais e religiosas) e das distâncias físicas – consome e reconhece como seus os mais diversos objetos e procedimentos: marcas e tipos de refrigerantes em lata e em garrafas sem retorno, medicamentos e comidas industrializadas, cartões de crédito e músicas na parada de sucessos, relógios e cosméticos, roupas de grifes, massa e envases, personagens do esporte e do cinema. Gente que utiliza os intercomunicantes subsistemas financeiros, que paga com cartões plásticos (a maioria pertencente a três grandes bandeiras, Visa, MasterCard e American Express), reconhecidos no mundo inteiro, e contabiliza seus gastos e compras em dólares” (DREIFUSS, 1996: 138).
Para o filósofo Félix Guattari esta padronização do consumo turístico faz com que os turistas façam “…suas viagens quase sem sair do lugar, confinados nos mesmo ônibus, nas mesmas cabines de avião, nos mesmo quartos climatizados dos hotéis e desfilem diante de monumentos e paisagens que já viram centenas de vezes, nos prospectos e na telinha de TV” (citado por CORIOLOANO, 1997: 120).
O raciocínio acima coincide com outro, do escritor norte-americano Paul Bowles, segundo o qual “daqui a cem anos não valerá mais a pena vajar, pois o mundo está ficando cada vez mais uniforme” (Correio da Unesco, setembro/outubro de 1999: 25).
Assim reduzido a uma mera satisfação de uma compulsão pelo consumo a busca de uma nova e inédita sensação torna-se o objetivo de cada turista que converte cada roteiro em uma espécie de comida rápida que satisfaz a fome mas também enjoa e faz mal à saúde. “… Como a realidade jamais poderá propiciar os prazeres aperfeiçoados com que o indivíduo se depara nos devaneios, cada compra conduz à desilusão e ao anseio por produtos sempre mais novos (Urry, citado por CORIOLOANO, 1997, 120). Nos roteiros turísticos, “para extrair máximos benefícios do consumo, deve-se buscar variedades e diversidade para gozar dos grandes benefícios iniciais de muitas atividades diferentes”, ainda mais porque num pacote turístico composto por variáveis que privilegiam a lucratividade, num período de uma semana a 30 dias o turista terá que chegar à sensação de ter vivenciado tudo, mesmo que passivamente, antes de voltar para casa, onde chega aliviado e ao mesmo tempo exausto e endividado.

CONCLUSÃO

Ao invés de fazermos coro com os entusiastas de uma presumida tendência ilimitada de expansão dos contatos dos seres humanos entre si e com suas obras dispersas no planeta, que ocorreria através do desenvolvimento do setor turístico, foi apresentada, neste artigo, a constatação de que o crescimento do turismo internacional está associado à crescente disparidade de renda gerada pela globalização econômica. Tal modalidade de turismo, então, diferentemente do que apregoa os discursos interessados em sua expansão, ao invés de aproximar os humanos, está contribuindo para ampliar o fosso existente entre ricos e pobres, integrados e excluídos da sociedade global.
A globalização da economia mundial viabiliza sim a expansão do turismo que se assiste nos tempos atuais, mas, por sua vez, o aumento do fluxo turístico internacional tem contribuído para a difusão de uma ideologia favorável à globalização, que tem deixado as culturas locais e as sociedades nacionais desarmadas frente aos interesses globalizados.
O turismo da globalização, altamente consumista, tendo como motivação o desejo de distinção a partir dos lugares frequentados e do exibicionismo do consumo realizado, talvez possa ser confrontado por alternativas que privilegiem as atividade de auto-realização e de autoconhecimento baseadas na vivência e na sociabilidade. A competição para ver quem consome mais pacotes turísticos internacionais não permite mais do que uma uma vivência frívola e efêmera, além de uma permanente insatisfação.
Ao invés de encararmos o Turismo como uma forma de implementar a internacionalização de usos e costumes e de um modelo consumista e concentrador de riquezas, podemos pensá-lo como uma forma de resistência à globalização, que pode ocorrer a partir do desenvolvimento de alternativas sócio-culturais e ambientais, como exemplificam algumas modalidades de ecoturismo e de turismo rural, propícias para o envolvimento de comunidades marginalizadas pela modernização capitalista, que estão ansiosas por reafirmar suas identidades, frente a ameaça de homogeneização cultural e exclusão social.
Mas mesmo para estas formas alternativas e não desumanizadas de turismo é preciso estarmos atentos para algo contra o qual nos alertou José Saramago, em um dos seus Cadernos de Lanzarote:
“Como se há-de fazer entender aos responsáveis de todos os meios ambientes do mundo que os turistas são exactamente como as abelhas? Tal como elas, produzem riqueza, mas, tal como elas, agridem. Tal como elas, devem ser protegidos, mas, tal como delas, temos também nós de proteger-nos”.

Bibliografia

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DREIFUSS, René Armand. A época das perplexidades – Mundialização, globalização e planetarização: novos desafios. Petrópolis, Vozes, 1996. 350 pag.
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